Mais do que um espaço para morar, este apartamento em Uberlândia foi pensado como um refúgio que traduz uma paixão em comum: o automobilismo. Assinado pelo Cerrá Estúdio e fotografado por Keniche Santos, o projeto parte da relação entre pai e filho — ambos pilotos de kart — para construir uma narrativa que vai além da estética e se conecta diretamente com o estilo de vida dos moradores. Com 130 m², o apartamento foi reorganizado para criar uma experiência integrada e funcional, onde materiais, iluminação e marcenaria trabalham juntos para reinterpretar os boxes de corrida em uma versão contemporânea.
Área social: integração e identidade como ponto de partida
A área social concentra as principais decisões do projeto. Sala de estar, jantar e varanda foram integradas, criando um espaço contínuo que valoriza o convívio e amplia a percepção do ambiente. Um dos elementos centrais é o grande móvel em MDF ebanizado, que percorre toda a sala e concentra diversas funções. Nele, portas são camufladas, o hall ganha uma pequena chapelaria e, no trecho voltado à sala, surge um nicho com canto alemão que apoia a mesa de jantar. Esse mesmo elemento abriga também uma adega com capacidade para 230 garrafas — um dos pedidos principais do cliente.
A materialidade reforça o conceito: o MDF escuro remete ao asfalto e aos pneus, enquanto o cimento queimado e a pedra moledo trazem a referência direta às garagens e boxes de corrida. A iluminação, com fiação aparente e pontos estratégicos, contribui para o conceito do projeto e permite diferentes cenários de uso.
Na sala de jantar, o canto alemão embutido na marcenaria otimiza o espaço e cria um ambiente confortável para o dia a dia. Logo na entrada, a réplica da McLaren de Ayrton Senna recepciona quem chega pelo hall e antecipa a identidade do projeto, marcada pelas referências ao automobilismo. O destaque da sala fica para o pendente desenhado pelo próprio escritório, que reforça o caráter autoral da proposta e funciona como ponto focal sobre a mesa. A escolha dos materiais e o desenho do mobiliário seguem uma lógica de continuidade, evitando excessos e valorizando a leitura linear do espaço.
Varanda: extensão da área social
A varanda gourmet foi integrada à sala com a retirada da esquadria e fechamento em vidro, ampliando o espaço e permitindo maior entrada de luz natural. Mesmo com a presença de elementos estruturais, como os pilares, a continuidade visual foi garantida por meio do uso de materiais que se repetem entre os ambientes, como o rack e a pedra que se estendem da sala até a varanda. Essa solução ajuda a unificar os espaços e reforça a sensação de amplitude. Além disso, a varanda abriga elementos pessoais dos moradores, como placas decorativas e objetos trazidos de viagens, contribuindo para a construção de uma narrativa mais íntima.
Cozinha: funcionalidade e reorganização do layout
A cozinha passou por alterações importantes no layout para atender melhor à dinâmica do projeto. O acesso foi reposicionado, permitindo a criação do grande móvel na sala e melhorando a circulação. Organizada de forma prática, a cozinha mantém a mesma linguagem de materiais do restante do apartamento, com foco em durabilidade e fácil manutenção.
Área íntima: espaços personalizados e afetivos
Na suíte principal, o projeto adota uma abordagem mais contida, transmitindo uma atmosfera calma e tranquila. A marcenaria aparece como elemento central, formando um grande volume contínuo que organiza o ambiente e, ao mesmo tempo, camufla o acesso ao banheiro, mantendo a leitura limpa e sem interrupções visuais. O uso do MDF ebanizado reforça a identidade do projeto, trazendo profundidade ao espaço e dialogando com os demais ambientes.
A cabeceira estofada em couro caramelo introduz um contraste importante, suavizando a rigidez dos materiais mais brutos e fazendo referência direta aos interiores de carros clássicos — um detalhe sutil, mas carregado de significado para os moradores. A iluminação segue a lógica do restante do projeto, com pontos bem posicionados que valorizam os volumes e permitem criar diferentes atmosferas, priorizando o conforto no uso noturno.
No quarto do filho, o projeto ganha um caráter mais expressivo e lúdico. O destaque fica para o grafite aplicado a partir de uma foto do morador quando criança, assinado pelo artista Kim Ferreira, que ocupa a parede como um elemento central e traz identidade ao ambiente. Mais do que uma peça decorativa, ele funciona como um ponto de conexão afetiva, transformando o quarto em um espaço personalizado e único.
A marcenaria segue a mesma linguagem do projeto, com soluções práticas que organizam o uso do dia a dia. O ambiente equilibra funcionalidade e expressão, criando um espaço que atende às necessidades da rotina, mas também valoriza a história do morador.
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Um projeto guiado pela identidade
O resultado é um apartamento que traduz com clareza a proposta do projeto: transformar a arquitetura em uma extensão da identidade dos moradores. Ao incorporar referências do automobilismo de forma consistente, o espaço constrói uma narrativa única, que vai além da estética.
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Confira também o apartamento de somente 25m² cheio de livros e descubra como mesmo com pouco espaço é possível dar a sua cara para o apê e torná-lo autêntico.























