Em cidades onde o espaço é cada vez mais escasso, a arquitetura precisa responder com soluções precisas. Essa casa em Tóquio, projetada pelo escritório YUUA Architects, parte de uma condição extrema, mas muito comum na região: apenas 1,80 metro de largura útil para construir uma residência de 80 m². Pensada para um casal e dois gatos, a casa organiza seus ambientes a partir da verticalidade e da fragmentação dos espaços em diferentes níveis.
Um terreno estreito como ponto de partida
Implantada em um lote com pouco mais de dois metros de fachada, a casa ocupa um espaço conhecido popularmente na região como “cantinho da enguia”, caracterizado por terrenos longos e estreitos. A largura reduzida exigiu uma organização estrutural compacta, com o uso de perfis metálicos que garantem estabilidade sem comprometer a área interna.
A construção se desenvolve em três pavimentos, com um térreo levemente elevado para favorecer a ventilação e separar funções. Essa decisão melhora a relação com o exterior e contribui para a entrada de ar e luz, aspectos fundamentais em uma planta tão compacta.
A estrutura em aço, associada ao uso de placas de cimento nas fachadas, permite uma execução mais precisa e reduz a necessidade de elementos volumosos, liberando o máximo de espaço possível no interior.
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Espaços distribuídos em múltiplos níveis
Internamente, a casa não se organiza em pavimentos tradicionais, mas em uma sequência de níveis intermediários que fragmentam o espaço e criam diferentes áreas de uso. Cada ambiente ocupa o tamanho mínimo necessário para atender às funções do dia a dia.
Os pisos parecem flutuar entre as paredes laterais, criando uma sensação de leveza e continuidade, permitindo que os ambientes se conectem visualmente, mesmo estando em alturas diferentes. A circulação acontece de forma vertical, mas com pausas ao longo do percurso, onde pequenos espaços íntimos se formam. Assim, a percepção de espaço é ampliada e permite que a casa funcione de maneira mais dinâmica, adaptando-se às necessidades dos moradores ao longo do dia.
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Luz, ventilação e amplitude
Um dos principais desafios do projeto foi garantir conforto ambiental em um espaço tão limitado. Para isso, a entrada de luz natural foi cuidadosamente planejada por meio de aberturas estratégicas, fachada totalmente envidraçada e pequenas frestas ao longo da construção.
A visibilidade do céu e a presença de luz indireta ajudam a reduzir a sensação de confinamento. A ventilação cruzada também foi considerada no projeto, permitindo a circulação de ar entre os níveis e melhorando o desempenho térmico da casa. Todos esses elementos, combinados à organização vertical, contribuem para uma experiência espacial mais ampla do que a metragem sugeriria.
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Soluções que reforçam a identidade do projeto
A escolha dos materiais acompanha a lógica de otimização e clareza construtiva. O piso é composto por tábuas de madeira reaproveitadas de andaimes, que trazem textura e resistência ao uso cotidiano. Nas paredes e no teto, a aplicação de uma pintura com efeito marmorizado cria variações sutis de cor ao longo do dia, reagindo à luz natural e acrescentando profundidade aos ambientes, além da leveza visual.
O mobiliário segue a mesma lógica compacta do projeto, com peças integradas e soluções sob medida que acompanham a geometria da casa. Cada elemento é pensado para ocupar o mínimo de espaço possível, sem comprometer o conforto e a funcionalidade.
Uma nova perspectiva sobre morar em espaços reduzidos
Em tempos com espaços cada dia menores para se viver, o projeto propõe uma nova forma de pensar o espaço doméstico. Ao trabalhar com níveis desiguais, valorização da luz natural e materiais de reuso, a casa amplia suas possibilidades de uso, permitindo pensar em soluções fora do padrão esperado.
A limitação dimensional se transforma em um exercício de precisão, onde cada escolha tem impacto direto na qualidade do ambiente. O resultado é uma residência que, mesmo estreita, oferece diferentes experiências ao longo do percurso interno.
Confira também a casa de apenas 3 metros de largura que foi reformada em São Paulo e ganhou até sauna!
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Imaginação é a palavra. Conheci um imóvel bem estreito, era considerado um dos mais diminutos em termos de largura do mundo, em Valencia/es https://www.indomio.es/news/inmobiliario/residencial/historia-y-curiosidades-de-la-estrecha-la-casa-mas-estrecha-de-valencia-3195/
Estão por fora. Em Guaianases e região, isso já existe a muuuuito tempo! Kkkk…
Não deixa de ser uma obra de arte. Tudo impecável!
Tem elevador? Envelhecemos e isso é um item essencial em qualquer projeto contemporâneo.
Conversinha de arquiteto!
A frente é toda envidraçada mesmo assim a casa parece um túmulo escuro, as escadas são tipo de subir em beliche .. imagine levar alguma coisa de um nível para o outro tds os dias usando as duas mãos para subir as escadas! Desde roupas, produtos de limpeza, vassoura, etc!
Preocupação com ar e luz? Não entra nem circula ar pois é fechada nem luz porque pelas fotos as paredes escuras não favorecem.
Já vi casas estreitas magníficas mas isso é um pesadelo!
Pronto, tá explicado e justificado a diminuição da área dos (caríssimos) aptos prática cada vez mais comum em São Paulo. Se existe algo assim em Tóquio, por que SP ficaria atrás, né não? Afinal, para fazer parte do primeiro mundo basta copiar o que há de pior lá
No momento os moradores devem ser jovens, mas futuramente essas escadas, serão um grande empecilho. Melhor eles irem poupando prá adquirir algo mais confortável pq a idade chega prá todos. Boa sorte na minúscula 🏠
É o terror dos ortopedistas.
Sim, Maria… mas creio que para essas pessoas inteligentes&criativas ñ deve ser difícil fazer um pequeno elevador, escadas ou rampas rolantes
Toda jornada começa com um primeiro passo
Olá Maria.
Justamente o que pensei quando vi as escadas (uma, inclusive, fica no extremo do balcão da cozinha … Haja higiene …): locação e/ou venda só para o pessoal que ainda tem colágeno …
As pessoas mais belgas do mundo vivem em cidades sem elevadores e carros. Aonde vc precisa andar centenas de metros, e subir centenas de degraus todos os dias. Faz parte isso.
É o terror dos ortopedistas.
Achei as soluções fantásticas para o espaço ínfimo, embora tenham sido poucas as fotos para se ter uma ideia melhor de como ficou o ambiente. Só acredito que essas escadas exijam um nível de atenção ao acordar bem especial. Imagine acordar meio sonolento ainda e se descuidar ao descer, grande risco de acidentes.
Só de ver as fotos fiquei sem ar.