Localizada em São Paulo, esta casa de 214m² passou por uma reforma que buscou preservar a essência de uma construção dos anos 40 sem abrir mão das necessidades da vida contemporânea. Assinado pelo escritório Mana Arquitetura, o projeto foi pensado para acompanhar a rotina de uma família que desejava transformar o imóvel em um lar definitivo, valorizando convivência, conforto e a história do imóvel. Fotografada por Carolina Lacaz, a reforma reorganiza os ambientes para criar espaços mais integrados e conectados com a arquitetura original da residência.
Área social: integração e valorização da estrutura original
A principal transformação aconteceu na área social, com a demolição de uma parede estrutural que separava a sala da escada. A intervenção, feita com reforço estrutural, permitiu ampliar o ambiente e criar uma conexão mais fluida entre estar, circulação e cozinha. O piso original de taco, removido durante a obra, foi reaproveitado com uma nova paginação, mantendo a memória da casa com um desenho atualizado. A sala se organiza de forma aberta, com mobiliário que delimita os usos sem bloquear a circulação e reforçando a sensação de conforto, transformando a sala em um espaço central de convivência, pensado para o dia a dia e para receber.
Sala de jantar e cozinha: o coração da casa
Integrada à área social e posicionada em frente à cozinha, a sala de jantar traduz bem o conceito do projeto. A mesa de madeira assinada por Paulo Alves é acompanhada por diferentes modelos de cadeiras, criando uma composição que foge do padrão e valoriza a diversidade de peças.
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Os lustres de vidro, garimpados em um mercado de pulgas em Paris, trazem uma camada adicional de história ao ambiente. Esse tipo de escolha reforça a ideia de uma casa construída ao longo do tempo, onde cada elemento carrega significado. A presença de uma porta de muxarabi branca, que esconde a despensa, contribui para a organização do espaço sem comprometer a leveza visual.
A cozinha é um dos ambientes centrais do projeto e foi pensada para resgatar a sensação de uma cozinha mais afetiva e integrada à rotina da casa. O piso em ladrilho hidráulico xadrez, em tons de cinza e branco, cria uma base gráfica marcante que remete a construções antigas e adiciona ritmo ao ambiente. A marcenaria em madeira tauari, com acabamento ripado, aquece o espaço e cria continuidade visual com os outros ambientes da residência. Já o frontão em ladrilho branco ajuda a equilibrar a composição e reforça a praticidade necessária para o uso cotidiano.
Um dos pontos mais interessantes é a presença da alvenaria original exposta, revelada durante a obra, que adiciona textura e reforça a história da construção. Essa combinação entre elementos novos e existentes cria uma estética equilibrada, onde o rústico e o atual convivem sem conflito.
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Lavabo: surpresa e personalidade
Localizado sob a escada, o lavabo aproveita um espaço muitas vezes subutilizado e ganha identidade própria. O estilo romântico e o papel de parede de desenhos botânicos cria um contraste com os demais ambientes e introduz uma atmosfera mais lúdica. Essa escolha mostra como pequenos espaços podem ser trabalhados de forma mais expressiva, sem comprometer a unidade do projeto.
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Área íntima: conforto e continuidade estética
No quarto principal, o projeto adota uma linguagem mais serena, priorizando conforto e continuidade estética com o restante da casa. A paleta segue cores neutras equilibradas com o tom terroso da marcenaria e de elementos decorativos, proporcionando sensação de acolhimento. O desenho dos móveis mantém a estética de casa antiga, com detalhes e acabamentos que trazem um caráter atemporal ao ambiente.
A escolha dos revestimentos e materiais evita excessos, permitindo que a luz natural tenha protagonismo e valorize as texturas presentes no espaço. O resultado é um ambiente equilibrado, onde elementos clássicos e soluções contemporâneas convivem de forma harmônica, criando um quarto funcional, confortável e alinhado ao conceito de uma casa feita para ser vivida.
No banheiro da suíte, o projeto aposta em uma linguagem mais clean, com revestimento em ladrilho hidráulico em tom nude que cobre as superfícies e cria uma atmosfera uniforme. A escolha da cor contribui para um ambiente mais suave e confortável, enquanto a presença de banheira e chuveiro no mesmo espaço amplia as possibilidades de uso.
No quarto dos gêmeos, o projeto equilibra funcionalidade e identidade, criando um ambiente pensado para acompanhar o crescimento e a rotina das crianças. Localizado na parte frontal da casa, o dormitório se abre para um terraço, o que amplia a sensação de espaço e garante boa entrada de luz natural, além de fortalecer a relação com o exterior. Essa conexão traz mais dinamismo ao ambiente, permitindo que o uso vá além do descanso e incorpore momentos de lazer e convivência.
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A linguagem estética segue a base da casa, com presença de madeira, tons neutros e toques de cor pontuais, criando um espaço equilibrado e acolhedor. A marcenaria organiza o ambiente de forma prática, enquanto os detalhes e objetos decorativos ajudam a trazer personalidade ao quarto. O resultado é um espaço versátil, que atende às necessidades do dia a dia e mantém a proposta do projeto de uma casa viva, pensada para ser usada e adaptada ao longo do tempo.
O banheiro dos filhos segue uma proposta mais dinâmica, combinando ladrilho hidráulico verde com cimento queimado azul, criando um ambiente, lúdico, com mais cor e personalidade.
Área externa: expansão do uso e conexão com o verde
Na área externa, o projeto cria um espaço de respiro entre a casa principal e a edícula, reforçando a conexão com o verde e o uso cotidiano ao ar livre. O jardim, com lavanda e uma jabuticabeira, traz um caráter mais natural e ajuda a suavizar a transição entre os volumes construídos. O chuveirão, revestido com azulejos de estética antiga, complementa o ambiente e retoma a linguagem afetiva presente em toda a casa. Mais do que um espaço de passagem, a área externa funciona como extensão dos ambientes internos, favorecendo a ventilação cruzada, a entrada de luz natural e momentos de convivência ao ar livre.
Uma casa pensada para ser vivida
O Projeto Limoeiro revela como a arquitetura pode ser um elo entre passado e presente, respeitando a história da construção ao mesmo tempo em que se adapta às necessidades de uma família contemporânea. Ao valorizar materiais originais, incorporar elementos afetivos e apostar em soluções que favorecem o convívio, a casa constrói uma narrativa autêntica e coerente. Trata-se de um espaço pensado para ser vivido plenamente, com memórias, encontros e experiências que se acumulam ao longo do tempo.
Confira também a casa reformada que mistura arquitetura contemporânea e memória afetiva e se inspire em mais projetos residenciais.


























