Períodos de calor intenso e ondas de calor exigem mais atenção com as plantas. No verão, elas entram em uma fase de maior atividade: crescem mais rápido, transpiram mais e perdem água com facilidade. Folhas murchas, amareladas, secas ou queimadas são sinais comuns nessa época e nem sempre indicam falta de cuidado. Com pequenos ajustes na rotina, é possível ajudar as plantas a atravessar os dias mais quentes com mais equilíbrio. A seguir, veja como cuidar das plantas no calor e entender o que cada espécie precisa nesse período.
Conheça a especialista
Andressa Oliveira é arquiteta e urbanista especialista no cultivo de plantas em casa e com experiência em projetos arquitetônicos e de interiores.
Como acertar a rega no calor
No calor, a rega se torna um dos cuidados mais importantes – e também um dos que mais geram dúvidas. Isso porque as altas temperaturas aceleram a evaporação da água e aumentam a transpiração das plantas, fazendo com que o solo seque mais rápido. Ao mesmo tempo, o excesso de água pode ser tão prejudicial quanto a falta. Encontrar o equilíbrio é essencial. Veja como adaptar a rega nos dias mais quentes e evitar erros comuns.
Melhor horário para regar as plantas no calor
Pode não parecer, mas o horário da rega faz muita diferença nos dias mais quentes. O momento mais indicado é pela manhã, quando o sol ainda está fraco e a temperatura está mais amena. Assim, a água é melhor absorvida pelas raízes e o solo permanece úmido por mais tempo, sem evaporar rapidamente.
Outra opção é regar no fim da tarde, quando o sol já está mais fraco. Nesse caso, prefira molhar apenas o solo e evite molhar as folhas, para não favorecer o surgimento de fungos, especialmente em ambientes mais úmidos ou com pouca ventilação.
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Frequência de rega
Com as altas temperaturas, é comum achar que todas as plantas precisam de mais água, mas a frequência de rega varia bastante conforme a espécie. Plantas tropicais, como filodendros, antúrios, marantas e calatheas, costumam sentir mais o calor, pois transpiram bastante. Elas preferem o solo levemente úmido e, em períodos muito quentes, podem precisar de regas mais vezes durante a semana.
Já suculentas e cactos são adaptados a ambientes quentes e secos. Mesmo no verão, não gostam de excesso de água. O ideal é esperar o solo secar completamente entre uma rega e outra. Quando recebem água demais, as folhas podem ficar moles, translúcidas ou amareladas, sinais claros de excesso de rega.
Independentemente da espécie, a melhor forma de acertar é observar a planta e o solo. Colocar o dedo na terra antes de regar ajuda a entender se ela realmente precisa de água naquele momento.
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Plantas em vasos x plantas em canteiros
As plantas cultivadas em vasos costumam sofrer mais no verão do que aquelas plantadas diretamente no solo ou em canteiros. Isso acontece porque o volume de terra é menor, a evaporação da água é mais rápida e as raízes ficam mais expostas às variações de temperatura. Além disso, vasos em locais cobertos ou fechados não recebem água da chuva e exigem regas mais frequentes, especialmente os menores.
Já plantas em canteiros ou no jardim costumam manter a umidade do solo por mais tempo. Mesmo assim, em períodos de calor prolongado ou ausência de chuvas, elas também podem precisar de reforço na rega.
Borrifar água: realmente ajuda no calor?
Borrifar água nas plantas é um hábito comum nos dias quentes, mas nem sempre resolve o problema da sede. A pulverização ajuda a aumentar a umidade do ar ao redor da planta, o que pode trazer alívio para espécies tropicais que gostam de ambientes mais úmidos, como as samambaias. No entanto, borrifar água não substitui a rega no solo, que deve continuar conforme a necessidade de cada espécie.
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Evite borrifar água sob sol forte, pois as gotículas podem intensificar a incidência de luz e causar queimaduras nas folhas. O ideal é fazer isso pela manhã ou no fim da tarde, sempre com moderação. Em ambientes pouco ventilados, folhas constantemente molhadas também podem favorecer o surgimento de fungos.
Sol direto: quando ajuda e quando prejudica as plantas
A luz solar é essencial para o desenvolvimento das plantas, mas no calor intenso, a exposição ao sol direto pode se tornar um problema. O excesso de radiação e as altas temperaturas aumentam o risco de estresse térmico, desidratação e queimaduras nas folhas, principalmente em espécies que não toleram sol pleno.
De forma geral, o sol da manhã é mais suave e benéfico para a maioria das plantas, enquanto o sol da tarde costuma ser mais forte e agressivo. Durante ondas de calor, mesmo plantas acostumadas ao sol podem sentir os efeitos e apresentar sinais de sofrimento.
Folhas com manchas secas, áreas amareladas ou queimadas, especialmente nas pontas e bordas, costumam indicar excesso de sol. Em plantas cultivadas em vasos, vale mover o recipiente para um local com menos intensidade de luz, pelo menos nos horários mais quentes do dia. Já no caso de plantas em canteiros ou jardins, a solução pode ser criar sombra temporária, usando telas de sombrite para reduzir a exposição direta ao sol forte.
Proteja o solo e reduza o impacto do calor
Durante o calor intenso, o solo tende a perder umidade muito mais rápido, o que aumenta o estresse das plantas. Proteger a superfície do substrato ajuda a manter a temperatura mais estável e evita que a água evapore com tanta facilidade.
Uma forma simples de fazer isso é utilizar coberturas, como casca de pinus, folhas secas, palha ou até pedrinhas decorativas. Essa camada funciona como um isolante térmico, mantendo a umidade por mais tempo e protegendo as raízes do calor excessivo.
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Ventilação e circulação de ar
A ventilação é um fator muitas vezes esquecido no cuidado com as plantas, mas faz muita diferença durante o calor, especialmente para aquelas cultivadas dentro de casa. Ambientes abafados aumentam a sensação térmica, dificultam a evaporação natural das folhas e favorecem o surgimento de pragas e doenças.
Manter janelas abertas ou reposicionar os vasos para locais mais arejados ajuda a melhorar a transpiração das plantas e reduz o acúmulo de umidade excessiva nas folhas, contribuindo para um ambiente mais equilibrado.Por outro lado, é importante evitar correntes de ar muito fortes ou o contato direto com ar-condicionado e ventiladores. Esse tipo de exposição pode ressecar rapidamente as folhas, principalmente em plantas mais sensíveis, causando estresse e perda de vigor.
Evite podas e adubações no calor
Durante períodos de calor intenso, o ideal é evitar podas e adubações. Nessas condições, as plantas já estão sob estresse térmico e qualquer estímulo extra pode dificultar a recuperação e comprometer a saúde geral.
A poda, por exemplo, estimula novos brotos e aumenta a demanda por energia e água, o que pode ser prejudicial em dias muito quentes. Além disso, cortes deixam a planta mais sensível ao sol forte e ao ressecamento.
Com a adubação, o cuidado deve ser redobrado. Fertilizantes podem acelerar o crescimento em um momento inadequado, além de aumentar o risco de queima das raízes, especialmente em solos mais secos. Se for adubar no calor, prefira fazer isso nos horários mais frescos, como no início da manhã ou no fim da tarde, sempre com o solo previamente úmido.Outra boa prática é reduzir a dose indicada pelo fabricante, já que no calor a absorção acontece de forma diferente e o excesso de nutrientes pode prejudicar a planta. Adubos orgânicos ou de liberação lenta são opções mais seguras nesse período.
Ao entender os sinais que as plantas dão e respeitar o ritmo de cada espécie, o cuidado se torna mais simples e eficiente, mesmo durante ondas de calor. Assim, elas seguem crescendo com vigor e beleza ao longo do verão.
Quer escolher espécies que lidam melhor com altas temperaturas? Veja também plantas de sol e descubra opções ideais para espaços mais iluminados e quentes.




















