Com folhas longas e elegantes, o Philodendron spiritus-sancti é uma joia da botânica brasileira: raro, delicado e marcado por uma história de quase desaparecimento. A combinação entre perda de habitat e extrativismo ilegal colocou a espécie em risco crítico, impulsionando sua procura e levando o mercado internacional a atingir valores extremos. Graças ao avanço da tecnologia e a um projeto brasileiro dedicado à conservação, esse filodendro ganhou uma nova chance de sobrevivência por meio da produção legalizada em laboratório. Entenda a trajetória dessa planta única e como a ciência tem ajudado a proteger um dos tesouros da Mata Atlântica.
Conheça a especialista
Andressa Oliveira é arquiteta e urbanista especialista no cultivo de plantas em casa e com experiência em projetos arquitetônicos e de interiores.
Uma planta tão rara que quase desapareceu da natureza
Originário de uma área extremamente restrita da região serrana do Espírito Santo, o Philodendron spiritus-sancti ocorre em trechos muito específicos da Mata Atlântica. A espécie depende de condições ambientais bastante particulares, como níveis adequados de umidade, sombra e altitude, o que torna sua distribuição naturalmente limitada. Com a redução do habitat causada pelo desmatamento, essa vulnerabilidade se intensificou ao longo do tempo.
Ao mesmo tempo, a raridade e o formato singular de suas folhas despertaram o interesse de colecionadores ao redor do mundo, o que favoreceu o avanço do extrativismo ilegal. Durante os últimos anos, a valorização da espécie no mercado clandestino acendeu um alerta entre pesquisadores e instituições botânicas, reforçando a necessidade de ações de conservação e de pesquisas contínuas para evitar o desaparecimento da planta na natureza.
O projeto que devolveu esperança à espécie: tecnologia, ciência e conservação
Diante do risco crítico de extinção, esforços de conservação passaram a ser conduzidos por um projeto brasileiro coordenado pelo Jardim Botânico do Rio de Janeiro, com participação direta do pesquisador Marcos Mortara, além de pesquisadores, técnicos e instituições botânicas parceiras. Entre os envolvidos estão a Sociedade Brasileira das Aráceas, o Jardim Botânico Plantarum, o Instituto Inhotim e a empresa Acosta Plantas, responsável pela legalização da produção e comercialização do Philodendron spiritus-sancti no Brasil.
A técnica utilizada, conhecida como cultura de tecidos, permite produzir mudas em ambiente controlado, sem retirar nenhum exemplar da natureza. Cada planta se desenvolve em condições ideais de temperatura, luz e nutrientes, garantindo saúde, rastreabilidade e diversidade genética para uso futuro em projetos de reintrodução. Parte das mudas apreendidas pelo tráfico também deve ser devolvida ao habitat natural, sob acompanhamento técnico, enquanto novas linhagens são estudadas para recompor populações em áreas protegidas.
Além da produção regularizada junto ao Ministério da Agricultura, o projeto destina parte do lucro das vendas legalizadas para pesquisas e ações de conservação. O objetivo é reduzir o extrativismo oferecendo uma alternativa segura, acessível e com procedência garantida, preservando a espécie e valorizando a biodiversidade brasileira.
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Como cultivar o Philodendron spiritus-sancti em casa
Com a produção legalizada em laboratório, o Philodendron spiritus-sancti pode ser cultivado de forma responsável. Na hora de adquirir uma muda, priorize viveiros e produtores autorizados, como a Acosta Plantas. Evite compras sem identificação ou com preços incompatíveis, que podem indicar extrativismo ilegal e prejudicar os esforços de conservação.
Local ideal
De acordo com o pesquisador Marcos Mortara que trabalha diretamente com o Philodendron spiritus-sancti, a planta aprecia locais bem iluminados e pode até tolerar ambientes ensolarados, desde que seja exposta de forma gradual. Pode ser cultivada em ambientes internos, com algumas horas de sol por dia, mas com crescimento mais lento. Suas folhas podem se tornar mais longas e estreitas, conforme o nível de claridade recebido pela planta. A face inferior das folhas também pode desenvolver tons levemente avermelhados quando a planta recebe luz mais forte. A espécie pode ser cultivada em vasos e cuias suspensas.
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Rega e umidade do ar
Conforme Mortara, a espécie resiste a vários dias sem água, por causa das condições de seu habitat natural e por isso não precisa de regas constantes. O ideal é regar quando a camada superficial do solo começar a secar. Coloque água até que comece a sair pela parte inferior do vaso. A quantidade de regas pode variar conforme o clima da sua região. As raízes que se projetam para fora da planta conseguem absorver umidade do ar e ajudam a planta a se manter hidratada e saudável.
Substrato ideal
Mortara sugere um substrato com boa drenagem e que permita que as raízes respirem, sem terra vegetal. Misturas de pedaços de cascas orgânicas funcionam bem, como casca de pinus, casca de arroz carbonizado, chips de coco, vermiculita e perlita. O objetivo é manter o solo leve e sem compactação, para a água atravessá-lo rapidamente.
Mudas e crescimento
O crescimento do Philodendron spiritus-sancti é naturalmente lento. A forma mais segura de multiplicar a planta é por meio da divisão dos rizomas, que são as estruturas responsáveis pelo seu desenvolvimento. O enraizamento acontece de forma gradual e pode levar algumas semanas, exigindo paciência e cuidados constantes.
Toxicidade
Assim como outras plantas da família Araceae, o Philodendron spiritus-sancti é tóxico para pets e crianças caso ingerido. Mantenha a planta fora do alcance de animais curiosos e sempre lave as mãos após a poda ou manuseio das folhas.
O Philodendron spiritus-sancti se tornou um símbolo de preservação da biodiversidade brasileira. Graças à produção legalizada e aos projetos de conservação, a espécie ganha uma nova chance de sobreviver na natureza e chegar de forma segura aos lares de quem admira sua beleza única. Cuidar desse filodendro é também participar da manutenção da Mata Atlântica e apoiar práticas responsáveis no universo das plantas.
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Pois os pesquisadores tinhan que pasar pelo sul de Minas gerais, Na regiao das Vertentes,eu sou de ali, e ten muito desta planta en todas as florestas, e cerrado, e outras muitas variedades cor e de formato tambén. Fica a dica.
Oi Flanaina!
Sua região é da Serra das Vertentes? Você tem alguma foto dessas plantas que você viu lá?
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