Mais do que uma reforma, este projeto em São Paulo nasce de uma história que mistura arquitetura e romance. Os moradores viviam no mesmo prédio, em apartamentos um sobre o outro. Foi ali que se conheceram e, ao decidirem morar juntos, fizeram uma escolha pouco convencional: uniram os dois apartamentos em um único espaço de 300 m², assim como suas rotinas e histórias. Assinado pelo escritório Messa Penna e com fotos de Renato Navarro, o projeto reorganiza a planta original e propõe um novo modo de habitar, onde integração, rotina e identidade caminham juntas.
Dois apartamentos, uma nova configuração
A unificação das unidades resultou em um apartamento distribuído em dois andares, com funções bem definidas. No pavimento inferior, a área social se abre em um grande espaço integrado, enquanto o andar superior concentra os ambientes íntimos.
A proposta buscou reduzir ao máximo as divisórias, criando uma sensação de continuidade entre os espaços. Elementos estruturais, como pilares e lajes em concreto aparente, foram mantidos e incorporados ao projeto, reforçando a leitura original do edifício.
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Um dos pontos marcantes é o pé-direito ampliado, que contribui para a percepção de amplitude e conecta visualmente os dois pavimentos. A antiga porta do apartamento superior foi preservada, mantendo um registro da configuração anterior e da própria história do casal.
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Área social que combina estilos e personalidades
Na sala de estar, a composição reflete de forma clara a união dos gostos dos moradores. O mobiliário combina peças de linhas mais simples, próximas do estilo industrial, com elementos mais afetivos, como a rede, que convida ao uso cotidiano e reforça o caráter acolhedor do espaço.
Obras de arte, objetos decorativos e itens pessoais ocupam as paredes e superfícies, trazendo identidade e história ao ambiente. A presença de vitrolas e discos também reflete os interesses do casal, que prezam por um ambiente com boa música.
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As plantas ganham destaque e ajudam a compor o ambiente. Distribuídas pelo espaço, elas criam contraste com o concreto e reforçam a presença da natureza dentro do apartamento, aproximando o projeto de uma lógica de biofilia.
Cozinha integrada com estética industrial
A cozinha ocupa um papel central na área social e foi pensada a partir da rotina do morador, que é chefe de cozinha. O espaço segue uma linguagem totalmente industrial, com uso predominante de aço inox nos balcões e utensílios, que facilitam a manutenção, e equipamentos de uso profissional. O conjunto cria uma cozinha funcional e integrada ao restante do ambiente, sem perder o caráter técnico.
Outro destaque é o uso de um dos pilares estruturais para estruturar a mesa de jantar em madeira maciça, feita a partir de material de demolição e desenhada ao redor do elemento. A solução transforma uma limitação estrutural em parte ativa do projeto e contribui para a continuidade visual do espaço.
O ambiente se integra perfeitamente ao living, criando uma atmosfera acolhedora e, ao mesmo tempo, despretensiosa, proporcionando um espaço de convivência amplo e conectado.
Segundo andar reservado para o descanso
No segundo andar, o projeto organiza a área íntima com o quarto do filho, um quarto para hóspedes e a suíte do casal. Aqui, a materialidade muda: o piso em madeira, a iluminação natural e a ventilação cruzada garantem conforto e descanso.
O banheiro da suíte passou por uma reformulação completa e virou um banheiro de casal. O espaço foi reorganizado para incluir duas cubas posicionadas frente a frente, além da separação entre dois espaços para banho e área de lavabo, o que melhora o uso no dia a dia e permite que duas rotinas funcionem simultaneamente no mesmo espaço.
Escolhas sustentáveis
A sustentabilidade também orienta parte das escolhas do projeto. Entre os materiais utilizados estão pisos feitos com cimento e vidro de demolição, mesas em madeira reaproveitada e bancadas produzidas com resina e resíduos de vidro. Essas soluções aparecem de forma integrada ao ambiente, sem destaque excessivo, mas contribuindo para o desempenho e a durabilidade dos espaços.
Um encontro entre estilos e formas de viver
A decoração do apartamento reflete a combinação dos gostos dos moradores. De um lado, uma abordagem mais acolhedora, com cores, objetos e referências afetivas. Do outro, uma linguagem mais limpa e industrial, marcada pela presença do concreto e por linhas mais simples.
Esse encontro se traduz em ambientes que equilibram diferentes referências sem criar ruptura. Quadros, tapetes, mobiliário contemporâneo e peças garimpadas convivem com a estrutura aparente e com a organização mais racional do espaço.
O resultado é um apê que não se define por um único estilo, mas pela forma como organiza a vida dos moradores. A reforma amplia não apenas a metragem, mas também as possibilidades de uso e traduz, na arquitetura, a união de duas histórias em um só lugar. Para ver como essas escolhas se materializam na prática, confira também a reforma deste apartamento dos anos 70 no Morumbi.






























Coisa fina. Mas parece ter “muita informação”. Algo mais clean, para mim, seria melhor.